5º Festival do Japão – Exposição Bonsai Sul

Dias 20 e 21 de setembro/2016 aconteceu mais uma edição do Festival do Japão, evento que valoriza a cultura japonesa.
Mais uma vez a Bonsai Sul, associação da qual tenho orgulho de fazer parte, participou com uma bela exposição de bonsai e kusamonos.
Durante o evento realizamos alguns trabalhos em plantas o que despertou ainda mais a curiosidade dos visitantes.
Aqui uma pequena mostra da exposição:

Hokidashi – adoro este estilo

O mais tradicional estilo no bonsai, acredito eu, é o moyogi. Mas confesso que curto demais o estilo hokidashi, popularmente conhecido como “vassoura” em função do formato da copa.
Um grande engano que acontece é o de parece ser um estilo fácil de formar, que basta deixar a copa arredondada.
O hokidashi exige muita ramificação, ramificação em diversos calibres até uma ramificação muito fina. E ao contrário do que muitos afirmar, o tronco não precisa ser reto, ele pode ter uma leve sinuosidade.
Algumas espécies boas para formar bonsai neste estilo:
– Zelcova
– Caliandra selloi
– Ulmus
– Ligustro
– acer palmatum

Vejam estes exemplos de zelcovas:
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Aqui uma esquema de como formar um hokidashi:
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Fonte desconhecida.

E para finalizar, alguns de meus trabalhos neste estilo:

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Infelizmente a arte moderna tem tudo a ver com bonsai.

Este vídeo foi compartilhado pelo amigo, bonsaísta e meu professor de bonsai, Daniel Haetinger Santos

 

A abordagem feita no vídeo por Robert Florczak me fez refletir sobre a arte bonsai no Brasil. Cheguei então a conclusão de que o mesmo acontece com a arte bonsai.

Já tivemos grandes mestres, grandes bonsaístas que criaram e ainda criam, árvores que são verdadeiras obras de arte. Com o passar do tempo, tenho visto surgirem cada vez menos mestres com a mesma qualidade de trabalho e o pior, bonsaístas com um trabalho mediano e por vezes ruim mesmo sendo idolatrados com um mestre supremo, um grande artista. Demonstrações com shows pirotécnicos, performances e muito, muito marketing pessoal.

É meus amigos, estamos vendo no bonsai o mesmo aconteceu com a arte clássica frente a moderna.

Precisamos melhorar nossas referências. Precisamos melhorar nosso material de trabalho. Precisamos estudar e buscar elevar a qualidade dos nossos trabalhos. Vamos valorizar os bons trabalhos e não dar espaço para os ruins. Vamos admirar bonsai de qualidade e ignorar os sem qualidade. Vamos acostumar nossos olhos ao que é bom.

E por fim, “Vamos celebrar o que sabemos que é bom e ignorar o que sabemos que não é. “