O MESTRE

Em tempos em que a palavra Mestre está banalizada, acho este texto bem pertinente e nos leva a uma boa reflexão.

Espero que gostem.

 

O Mestre

Em toda arte, técnica, esporte ou profissão precisamos de aprendizado para obter êxito, o conhecimento e a prática necessária para esse aprendizado vêm sempre de alguém que se dispões em nos ensinar, a esse alguém chamamos de mestre, aquele que nos inicia em algum tipo de conhecimento; bem, em determinados campos de conhecimento o mestre significa mais do que um professor que nos ensina uma técnica ou uma prática. A arte de cultivar bonsai é um desses campos de conhecimento.

Quando chamamos alguém de mestre, em se tratando de bonsai, reconhecemos um conhecimento originário, de onde surgem conhecimentos capazes de também, um dia, nos transformar em mestres capazes também de transferir o conhecimento para outrem.

Parece muito simples, mas não é todo esse processo leva anos, e mesmo assim não quer dizer que o discípulo se tornará um mestre ou apenas mais um bom bonsaísta, pois existem outros fatores a serem considerados. Se um discípulo não é capaz ou não está disposto a transmitir o conhecimento adquirido então se trata de mais um bom bonsaísta, se não conseguiu ao menos apreender o conhecimento nem bonsaísta ele é, no máximo ele será um colecionador, aquele que pode comprar bons exemplares. Não se ensina alguém a ser mestre, cabe ao discípulo ser capaz e se dispor a ser.

Pois bem, você deve estar perguntando: por que tudo isso?

No Brasil e em muitos outros países temos mestres, colecionadores e temos aqueles que são bons bonsaístas, muitos desses bons bonsaístas procuram na maior parte das vezes monopolizar o conhecimento da arte para serem reconhecidos e vistos pelos outros como superiores, e agora é fácil entender por que aqueles bons bonsaístas do início do artigo não se tornaram mestres, eles são o que chamamos de egoístas, por isso não transmitem o conhecimento, só acumulam para si mesmos, muitas vezes se utilizando de capacidade financeira para ir sempre onde os grandes mestres estão e continuar acumulando conhecimentos ou para adquirir belas peças, e quem sabe, algum dia, produzir alguns bons exemplares.

É claro que ninguém é obrigado a se tornar mestre, e é claro também que existem “bons bonsaístas” que são altruístas, como eu disse é preciso estar disposto a ser um mestre além de ter a capacidade de absorver conhecimento.

Para que a arte de cultivar bonsai cresça no Brasil precisaremos de mais mestres e pessoas altruístas e menos de “bons bonsaístas”, por isso se você está iniciando na arte procure crescer, e quando tiver oportunidade, ajude outros a crescerem também para quem sabe um dia, se você quiser se tornar um mestre.

 

João C. O. Porto

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2 comentários sobre “O MESTRE

  1. Boa Tarde Amigo Ricardo!!!

    Adorei o texto, Mestre é Mestre… A etimologia da palavra mestre: L., MAGISTER, “chefe, líder, diretor”, de MAGIS, comparativo de MAGNUS, “grande”.
    Grande é a sabedoria daquele que consegue transmitir o conhecimento adquirido, não só através de ensinamentos, mas de exemplos. Mestre na sabedoria popular é aquele que satisfaz o desejo do outro…

    No Magistério, existem excelentes Professores, com um conhecimento riquíssimo, com uma vasta experiência e que conseguem superar os longos anos de exercício da profissão, porém são muitos poucos os que conseguem cativar e transmitir seu conhecimento para todos os seus alunos, não por culpa do próprio professor ou do aluno, mas das circunstâncias em que se desenvolvem a aprendizagem…

    Em minha concepção, este vai e volta de informações, se dá por conta da necessidade social da questão, nenhum destes realmente são Mestres, nem os professores, tampouco os que ministram cursos de Bonsais para iniciantes, nada mais são que pessoas que possuem com um conhecimento enorme e que fazem uso deste conhecimento para suprir suas necessidades financeiras sociais, é isto mesmo o que vocês entenderam…

    “Para mim”, friso isto, MESTRE é aquele que se dispõe a educar, ensinar, transmitir, valorizar e tantas outras maneiras de expressar o que se faz com AMOR e CARINHO…, sem nada exigir em troca, tampouco o próprio conhecimento.

    Muitas vezes aprendo muito mais com os colegas que estão ao meu lado fazendo um Workshop do que com o “MESTRE” que está ocupado ensinando 40, 50 ao mesmo tempo, não por culpa dele mas do momento…das circunstâncias…

    Carlos Tramujas, uma vez me disse: “Tua prática, será tua escola, teu erro hoje, poderá ser teu acerto amanhã, eu apenas te mostro o melhor caminho a ser seguido”.

    Você mesmo Ricardo já aprendi muito com você em encontros e que seus ensinamentos acolhi com muito carinho…

    Um “GRANDE” abraço.

    Leonardo Souza – Vera Cruz/RS.

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